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Duas evidências menos batidas do Aquecimento Global



A Estratosfera está esfriando

A atmosfera terrestre se divide em várias camadas. A troposfera vai de 0 a aproximadamente 10 km de altura no
s polos e 20 km no Equador.  Depois vem a estratosfera de 18 km a 50 km e finalmente temos a mesosfera de 50 km a 80 km. O resto é relativamente irrelevante para o nosso raciocínio.

Como levantei no meu artigo anterior (a versão mais atualizada está aqui ), já foi provado por medições diretas que a irradiação solar total que incide sobre a Terra tem permanecido virtualmente constante nas últimas dezenas de anos.

O aumento da concentração dos gases estufa  leva a previsão do aumento da temperatura da troposfera e isso tem sido observado, mas o mais impressionante é a diminuição que tem ocorrido na temperatura da estratosfera e da mesosfera.

Como explicar esse enigma?

Simples, como o calor está sendo aprisionado em parte pelos gases do efeito estufa na troposfera, ele são emitidos em menor escala para fora, o que tenderia, de fato, a provocar, surpreendentemente, o esfriamento de estratosfera e da mesosfera.

Com isso a lei da conservação de energia preconiza que, como a energia entrante tem sido igual, e a energia que escapa do sistema terrestre tem sido menor, como evidenciado por esse esfriamento; a energia aprisionada na Terra e em sua atmosfera baixa tem sido maior, o que obviamente provoca a elevação de temperatura, como tem sido observado.

Fontes:

1) Global Warming Causes Stratospheric Cooling -  
2) Study:Why troposphere warming differs between models and satellite data?
3) Stratospheric Cooling and Tropospheric Warming.
4) Stratospheretroposphere interactions: An introduction.

A  mudança da composição isotópica de CO2 na atmosfera é eloquente

O átomo de carbono tem vários isótopos diferentes (por exemplo - número diferente de nêutrons). O carbono 12 tem 6 nêutrons, o carbono 13 possui 7 nêutrons. As plantas têm uma relação C13 / C12 mais baixa do que na atmosfera.

Se o aumento do CO2 atmosférico é decorrente principalmente de combustíveis fósseis, preconiza-se que a relação de C13 / C12 deva cair.

E, na verdade, é exatamente isso que está ocorrendo nos últimos 150 anos e tem se acelerado de uns anos para cá.

Mesmo que os cientistas estejam errando feito na estimativa de emissão de CO2 por meio de atividade vulcânica, o CO2 mineral não tem esse teor mais elevado de C12, o que não explica o aumento de concentração de C12/C13 que tem sido observado na atmosfera.

Fontes: 

5) How do we know that recent CO2 increases are due to human activities?             
6) Modern Records of Carbon and Oxygen Isotopes in Atmospheric Carbon Dioxide and Carbon-13 in Methane.
7) The human fingerprint in global warming 
8) Sinking Global Warming: Is There a Reliable Way to Track Atmospheric Carbon Dioxid Levels?

Água doce: o pior problema atual



Preciosa água do nosso Planeta Água.

 O primeiro ponto a esclarecer é óbvio. Não existe problema de falta de água. O problema é a falta de água utilizável, que, em geral, não pode ser a água do mar.

É muito caro tirar o sal da água. É um processo que consome muita energia. E a energia responde por cerca de 1/3 do custo total. O custo estimado varia entre 1 e 2 dólares por m3, por volta de 10 vezes o custo da água comum nos EUA. O descarte do sal residual é outro problema a ser enfrentado, já que o sal é um grande contaminante.

Apesar do custo, a dessalinização já é feita comercialmente em vários países, como Arábia Saudita, Estados Unidos, Espanha e Japão. No caso da Arábia Saudita, representa 70% do consumo de água potável. Nos EUA, apesar das exceções, a água dessalinizada responde por apenas 0,01% do consumo de água.

A pesquisa continua, mas a situação atual vigente ainda é a descrita acima. Há ainda potencial em acoplar a conversão ao uso de energia solar para, pelo menos, resolver o problema da fonte de energia.

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Estima-se que apenas 3% da água disponível são utilizáveis. Desses 2.5% estão sob a forma congelada, só restando 0,5% para consumo humano.

Onde estão esses 0,5% de água?

Um total de 10 milhões km3 estão em aquíferos subterrâneos, o que compreende praticamente 98% desses 0,5% da agua. Há alguma coisa que vem através da chuva, mas 77% dessa chuva cai nos oceanos. O resto da água doce está nos lagos, rios e em reservatórios.

Menos de 10 países contém 60% da água doce disponível do mundo. O Brasil é o país mais rico do mundo em água doce, em termos de vazão cúbica disponível anual, com 8.233 km3 estimados por ano, muito acima do segundo colocado, que é a Rússia.

Do uso mundial de água doce, a estimativa é que apenas 8% representa uso doméstico. 22% são para uso industrial e 70% são gastos na agricultura, mas há números divergentes, em outras fontes.

3 países sozinhos, pelo montante de sua atividade agrícola e industrial, respondem por cerca de 38% do consumo de água do mundo: China, Índia e EUA.

No caso da agricultura, cereais com uso intensivo de água como trigo, arroz e milho respondem por 27% do uso, produção de carne 22%, laticínios outros 7%.

Existe até alguma pesquisa para algas e plantas específicas, mas de maneira geral, a água salgada NÃO pode ser usada para agricultura. A força tarefa está mais no sentido de se tentar reduzir as necessidades de água para esse grande consumidor que é a agricultura. Há muitas iniciativas nesse sentido, mas há muita inércia também.

No caso da indústria, usa-se água para resfriamento (aço, energia), papel, químicos, cosméticos, etc.. O potencial de uso de agua salgada nesse setor, infelizmente, é baixo.

Muitas soluções se baseiam na idéia de reaproveitamento da água, o que não vale, obviamente, para a indústria alimentícia. Há vários cases interessantes de sucesso na redução do uso da água. Por exemplo, a indústria de papel na Finlândia conseguiu reduzir o consumo de água em 90%. Uma nova tecnologia promete reduzir o consumo de água em processos resfriamento em 80%. No entanto, a maioria das iniciativas é ainda incipiente e tem um custo grande de instalação. Há muito o que se fazer, considerando o legado do parque industrial já instalado no mundo.

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O sistema hidrológico é ligado ao clima, e a mudança climática afetará bem a questão da água. O derretimento do gelo do alto das montanhas e dos glaciais, que abastecem aquíferos e rios na virada de estação, tende a se intensificar. Essa água tende a se incorporar aos oceanos.

Acredita-se que o Aquecimento Global intensifique os extremos climáticos, com mais enchentes em alguns lugares, e mais secas em outros. O problema é que as enxurradas representam um mau aproveitamento das águas pluviais. Além disso, em áreas urbanas o excesso de chuva pode trazer risco de contaminação de lençóis freáticos.

Outra questão é a possível contaminação de lençóis freáticos perto da costa pela água salgada, decorrente da constante elevação do nível médio dos oceanos.

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Não estamos perto de entrar em uma crise global da água. Já estamos nela.

O relatório de Riscos Globais de 2015 do Fórum Mundial Econômico já considera a questão da água a ameaça de maior impacto para o planeta na próxima década e é a primeira vez que a água assume essa posição. Em 2017, passou para a terceira posição, logo atrás dos extremos climáticos (enchentes, tempestades, etc.) e armas de destruição em massa, sendo que esses outros riscos citados são muito difíceis de se gerir, na prática.

Aproximadamente 1/3 da população mundial vive em regiões com problema de água e cerca de 700 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à água potável segura. Reservatórios esgotados e leitos de rios secos são sintomas óbvios, mas boa parte desse quebra cabeça está invisível debaixo de nossos pés, como vimos acima.

O problema é que, em muitos lugares, o consumo de água a partir dos aquíferos subterrâneos é superior à sua taxa de reposição, o que leva a um progressivo esgotamento dessas reservas.

Quase todas as mais produtivas fazendas mundiais, incluindo o vale central da Califórnia, a planície do norte da China, o norte da Índia e as grandes planícies norte-americanas estão consumindo excessivamente esses ativos aquíferos.

Há 3 forças que pressionam o consumo de água para cima no futuro: crescimento vegetativo (adicional ao crescimento da população), crescimento populacional e urbanização.

No ritmo do crescimento projetado, O Banco Mundial prevê que produção de alimento global precisará crescer 50% até 2050, que é de onde se deriva o maior consumo de água.

Estima-se que em mais 15 anos, 2 bilhões de pessoas irão encarar severa escassez de água potável, praticamente triplicando o número atual.

A crise dos lençóis freáticos está afligindo muitas das megacidades mundiais. Houston, Jacarta e Cidade do México são alguns dos centros urbanos que estão bombeando tantos os lençóis freáticos que a terra por cima está desabando. Jacarta afundou 4 metros no curso de uma geração.

O pitoresco é que 2 regiões (São Paulo e Califórnia) que estão entre os países com maior fluxo de água doce do mundo (EUA e Brasil), estão passando por sérios problemas de água.

Fontes gerais
1) World Business Council for Sustainable Development — Water: Facts and Trends
2) Water.org — Facts About Water & Sanitation
5) Racounter — Worldwide water crisis is looming
   (Via 1Olhar.com)

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