O Brasil agora tem 100 milhões de especialistas de segurança com opiniões abalizadas contra ou favor da intervenção.
Eu não tenho propriamente uma opinião formada definitiva sobre a questão da intervenção. Não sou especialista, o que não me impede de ter algumas opiniões.
Candidamente, falo igual ao Tiririca: "Pior do que está não fica". Pode ficar igual e pode melhorar um pouco. Não acredito tanto, mas pode até piorar. Por outro lado, poderão haver "acordos" que "pacifiquem" um pouco as disputas e nos aproximem do que parece acontecer no estado de São Paulo, onde a mortalidade por 100.000 habitantes gira em torno de 8, que é muito baixo em se tratando de Brasil.
De todo o modo, se o próprio Pezão abdicou do poder por se sentir completamente impotente, do jeito que está não poderia ficar. Ou seja, a intervenção passou a ser inevitável.
Deprimente é o Temer usar isso com finalidade eleitoreira, como está se dizendo. No entanto, independente disso ser verdade ou não, todos sabem que o Temer "Tem que manter isso, viu" é deprimente como um todo.
Deve-se destacar que o treinamento dos militares não é voltado para o combate ao crime. E a truculência também costuma imperar, podendo vitimar ainda mais moradores. E também se engana quem acha que não há corrupção. É apenas uma questão de uma negociação mais complicada, mas ainda possível.
Independente da polêmica de Direitos Humanos, é preciso que as pessoas entendam que meramente matar bandidos não resolve o problema da segurança. Mesmo que um líder de um grupo de milicianos ou traficantes morra, nada muda. Nesse mundo, para cada "dono" há dezenas de caras, dispostos a tudo, inclusive ao risco de morrer, para ocupar o lugar do morto.
Confronto
direto sem planejamento, em geral vaza, de forma que só peixinho é preso
e, mesmo que não vazasse, não afeta o mercado, quer seja de venda de
proteção, intermediação de serviços públicos ou drogas. Ser líder em uma comunidade, significa riqueza, popularidade, poder e influência. A maioria absoluta dos líderes são homens e chegam a arregimentar várias mulheres que o servem. Muitas crianças crescem, viram adolescentes, e sonham em ser um desses líderes. É o topo da cadeia alimentar nesse mundo para muitos alfas.
Eu acho graça quando ouço alguém fala que basta vigiar nossas fronteiras de forma eficiente. Em tese, sim. Isso seria possível no mundo ideal. Na prática, é quase impossível. Pela combinação da extensão infindável de nossa fronteira, precariedade de equipamentos e pessoal, falta de recursos, amplo acesso multimodal por água, ar e terra, combinado com a extensa corrupção nas fronteiras.
Os EUA, com
muito mais recursos, pouco sucesso obtiveram. A droga chega lá de tudo
que é jeito, até de submarino. No caso da cocaína, nada é nativo, já que não
existe plantação de coca, a matéria prima, nos EUA.
O filho do Pablo Escobar conta que o Pablo Escobar não teria entrado com tanta droga nos EUA se não fosse por "acordos" corruptos com o FBI para criar rotas de entrada nos principais aeroportos.
Nos EUA, centenas de bilhões de dólares foram gastos e o
resultado obtido foi amplamente pífio, no caso do mercado de drogas. Nunca,
proporcionalmente, morreram tantas pessoas de overdose.
Eu também não acho que mudar mudar o Código Penal, ou o Código de Processo Penal; ainda que possa ser feito, toca no cerne da questão da Segurança. O problema, em geral, não são nossas leis, é a aplicação delas. Lógico que podem ser feitos ajustes aqui e ali, particularmente na questão das prescrições das penas, que são computadas erroneamente crime a crime. Também é fundamental que a prisão após a condenação na segunda instância seja mantida pelo STF.
Do mesmo modo, não acho que a questão das armas toque seja relevante para os índices de violência no Brasil. Os elementos culturais, políticos e socais de um país se sobrepõe muito à questão da quantidade de armas por 100 habitantes.
Se alguém analisar no Wikipedia os homicídios por 100.000 habitantes e o número de armas por 100 habitantes na América Latina, vai entender que a correlação é virtualmente nula. É um relacionamento multifatorial.
Quando a polícia mata
um (pretenso) bandido e a população comemora, muitos comemoraram, supondo que o Rio está ficando mais
limpo.
Não sabe de nada, inocente.
Por trás dessa morte, pode haver várias histórias, além da visão mítica do policial bom matando um bandido cruel: os
policiais podem estar a serviço pago de um bando rival, podem estar forçando
a barra para se aumentar o valor da propina, ou meramente matando por
uma extorsão não bem-sucedida, ou simplesmente eliminando desafetos.
★★★
No meu entender, as verdadeiras dimensões ligadas à segurança pública incluem:
1) A mais séria das questões envolve o conluio do crime organizado
com importantes setores da polícia. Isso torna qualquer ação de combate ao crime, um processo de enxugar gelo e em uma sucessão de atos de espetaculosidade forçada e midiática. É um tarefa extremamente difícil e, de certo modo, dependente de recursos. Além de tudo, hoje a polícia militar é extremamente mal paga para arriscar sua vida.
2) Emprego de tecnologia, serviços de inteligência, infiltração, rastreamento e sufocamento financeiro.
3) Diminuição da impunidade em todas as esferas, que se traduz por processos que levam anos e anos. Isso passa por uma diminuição dos ritos, recursos, informatização, automação, teleaudiências, etc. A maior parte nem depende de quaisquer mudanças nas leis.
4) A recuperação do ex-detento no Brasil é uma das mais baixas do mundo.Então deve-se resgatar a prisão como elemento de recuperação do preso, mas sem ingenuidades.
Muitos caras ligados a facções e crimes mais graves e recorrentes são virtualmente irrecuperáveis. Agora colocar o pobre diabo que roubou um pão na mesma cela de um perigoso bandido, é contribuir para criar uma relação professor-aluno. Esse tipo de cara, em geral, nem deveria ficar em um prisão. Nem o cara que foi pego com gramas de maconha. Muitos mofam na prisão temporária por simples falta de medidas burocráticas, na ausência de advogados, que ficam presas em algum tipo de geladeira.
Acho importante que o preso trabalhe dentro da prisão, para ajudar a baratear seu custo. Hoje é muito caro manter nossa população carcerária, agravado pela corrupção prevalecente. É preciso também atacar com vigor essa corrupção, que na prática possibilita que pessoas comandem grupos e ataques de dentro da prisão.
5) O comércio de drogas é impossível de acabar. É doloroso ter que afirmar isso, já que droga é realmente algo terrível e o vício nela é algo muito triste. No entanto, fatos, como se diz, são coisas teimosas.
Não há lugar no planeta onde ela sequer diminuiu. Nem na Indonésia, que tem pena de morte para tráfico. Deve-se focar mais na violência e criminalidade conectada a ela, do que na venda em si.
Nos tempos iniciais da UPP, foi exatamente isso que aconteceu. A violência e a criminalidade caíram, mesmo mantendo-se a venda de drogas intacta. Legalizar ainda é uma utopia para o Brasil e não há quaisquer perspectivas disso acontecer.
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Rock in Rio 2017: saldo positivo.
Eu tive ontem (sábado) no Rock in Rio, pela primeira vez na
minha vida.
Os organizadores estão de parabéns, de modo geral.
O lugar está bonito e estruturado. As fachadas das lojas ficaram transadas, o palco principal ficou sensacional, com 3 telões gigantes. Criticável só é ter uma estrutura na frente do palco que tapa um pouco a visão das atrações em alguns ângulos, mas 3 telões gigantes de alta definição não deixavam ninguém perder nada do show.
Não vi um único incidente. A lotação também não chegou a incomodar. Havia até drones com leds, vigiando e ornamentando o lugar. Pessoas com cangas deitadas na grama artificial em diferentes pontos até lembravam o clima de idos festivais, mais românticos. Marcavam presença também áreas de Games, uma roda gigante (com padrões variáveis de azul e laranja, as cores do Itaú) e uma montanha russa. Finalmente, uma tirolesa passavam em frente ao palco principal, proporcionando aos usuários uma vista única.
Os organizadores estão de parabéns, de modo geral.
O lugar está bonito e estruturado. As fachadas das lojas ficaram transadas, o palco principal ficou sensacional, com 3 telões gigantes. Criticável só é ter uma estrutura na frente do palco que tapa um pouco a visão das atrações em alguns ângulos, mas 3 telões gigantes de alta definição não deixavam ninguém perder nada do show.
Não vi um único incidente. A lotação também não chegou a incomodar. Havia até drones com leds, vigiando e ornamentando o lugar. Pessoas com cangas deitadas na grama artificial em diferentes pontos até lembravam o clima de idos festivais, mais românticos. Marcavam presença também áreas de Games, uma roda gigante (com padrões variáveis de azul e laranja, as cores do Itaú) e uma montanha russa. Finalmente, uma tirolesa passavam em frente ao palco principal, proporcionando aos usuários uma vista única.
A organização está de primeira. Há bastantes opções de comidas, algumas bem interessantes, como "O melhor pastel do mundo”. Refrigerantes e cervejas circulavam entre as pessoas, só via copos plásticos. Os banheiros funcionaram bem, inclusive no quesito limpeza, embora as mulheres enfrentassem filas grandes. O som estava de excelente qualidade, nada empastelado.
A ida de BRT foi tranquila com um ônibus expresso. Na volta, eles organizaram um longo corredor polonês da saída da cidade do Rock até a estação BRT incluindo uma rampa. Isso foi feito de forma que a caminhada até a estação, cerca de 40 minutos de passos lentos, quase garantia que o tempo final de espera seria mínimo.
Bizarro era eles terem mantido o acesso embaixo da rampa de acesso à estação, o que fazia algumas pessoas se agacharem por baixo da rampa, para acessar outra escada no fundo, que também acessava a estação.
Quanto à música, claro, é uma questão de gosto. Além do palco principal, há vários outros palcos menores, com artistas alternativos.
O Skank mandou bem seu recado, como sempre. No meu entender, é um dos melhores conjuntos que surgiram na década de 90 (1991), depois dos principais expoentes do Rock Brasil que vieram nos anos 80 (Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Legião Urbana, RPM, Titãs, Barão Vermelho, etc.).
O cantor Shawn Mendes só agradou alguns dos mais jovens. Para mim,
eram músicas lentas e desconhecidas que demoravam a acabar e não ajudaram
elevar o clima do festival.
A cantora Fergie foi quase pura gritaria, dando vontade de tapar os ouvidos a maior parte do tempo. Teve até alguma dose de demagogia com convidados brasileiros e uma bandeira do Brasil. Por mérito próprio da Fergie, excetuando-se a balada “Big Girls Don’t Cry”, a penúltima do show, nada se salvou, nem mesmo a música que fechou o show e a consagrou (I Gotta a Feeling), mas sem a presença do Black Eyes Peas, os intérpretes originais.
Quanto ao Maroon 5, ainda que seja pura música pop comercial
sem pretensão de revolucionar a música, é preciso dizer que o show foi de primeira, levantou
completamente o público do início ao fim, com um invejável exibição de energia,
hits, interpretação visceral do Adam Levine e boas guitarras.
Por exemplo, a música Sugar de 2014, que encerrou o show é supercontagiante. Ela foi divulgada através de um dos vídeos mais vistos do YouTube de todos os tempos (2,3 bilhões de exibições).
❖
Claro que eu imaginaria atrações musicais mais do meu gosto, mas o público-alvo típico do Rock in Rio não é composto de pessoas como eu. Em um Rio dentro de um momento de tão baixo astral, sempre dá satisfação ver alguma coisa que funcione bem e ajude a levantar a moral da nossa cidade.
Por exemplo, a música Sugar de 2014, que encerrou o show é supercontagiante. Ela foi divulgada através de um dos vídeos mais vistos do YouTube de todos os tempos (2,3 bilhões de exibições).
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Claro que eu imaginaria atrações musicais mais do meu gosto, mas o público-alvo típico do Rock in Rio não é composto de pessoas como eu. Em um Rio dentro de um momento de tão baixo astral, sempre dá satisfação ver alguma coisa que funcione bem e ajude a levantar a moral da nossa cidade.
Bolsonaro defende teocracia.
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| O Bolsonaro, como o peixe, morre pela bola |
Jair Bolsonaro, o virtual candidato à presidência do Brasil em 2018, declarou.
“Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de Estado laico não. O Estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias”
Quando soube disso, desconfiei da autenticidade. Isso é uma besteira tão grande, e um erro tático gigantesco, que gera afastamento de muitos eleitores mais sincréticos.
Só que é verdade. Ele disse isso no dia 8 de fevereiro desse ano, em um discurso proferido em Campina Grande.
Isso entra no repertório das besteiras homéricas que Bolsonaro solta.
Quer dizer que ele defende uma teocracia cristã. Quem for espírita, judeu, umbandista ou messiânico que se mude. Ateu, então, que seja arremessado direto para a fogueira do inferno.
A dúvida é: qual será a religião oficial de um estado comandado por Bolsonaro?
Os católicos ou alguma denominação evangélica? O que prevalecerá?
Sim, isso é importante saber, porque há diferenças dogmáticas entre as denominações.
Imagens de santos, por exemplo, não são aceitos por praticamente nenhuma denominação evangélica. Caso se adote o protestantismo, seria preciso abolir alguns feriados, como o dia 12 de outubro, dia de Nossa Senhora de Aparecida.
O casamento pode ser dissolvido?
Se a fé oficial do estado for católica, a resposta seria não. Ou seja, nesse caso, o correto seria revogar a lei do divórcio.
Crivella no Rio: Chegou a hora de cuidar das pessoas?
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Chegou a hora da cuidar das pessoas. Quando será chegada essa hora? |
Lógico que filosoficamente os subsídios da prefeitura com os
desfiles das escolas deveriam mesmo ser cortados, embora não na forma e no
tempo que isso aconteceu. A LIESA é uma entidade privada que é uma caixa preta
e sabemos que sua reputação é péssima.
Se eu fosse o prefeito, teria anunciado isso no primeiro mês de governo, depois de me reunir com a LIESA e representantes da iniciativa privada, ligados a área de Turismo.
O gasto de R$ 24 milhões de subsídio será reduzido em 50% ficando R$ 12 milhões. São R$ 12 milhões de economia, o que sempre é alguma coisa.
E, no final dará tudo certo porque a iniciativa privada vai dar seu jeito para não afetar o Carnaval, a despeito de toda a chantagem da LIESA, que ameaça não realizar o desfile esse ano.
O engraçado é o prefeito alegar que o dinheiro será usado nas creches.
O portal Rio Transparente contém as despesas reais da Prefeitura já realizadas, ainda que não pagas, atualizadas até o dia de hoje (21 de junho).
Ele mostra dados assaz interessantes, quando se extrai os dados de 2016 e se confrontam com os dados de 2017.
Será que ele está cuidando das pessoas, como Crivella prometeu em campanha?
Alguém sabia que o órgão que teve o maior aumento de despesa
em 2017 será disparado o Gabinete do Prefeito?
Lá se concentram os gastos diretos da cúpula da prefeitura. Até agora se gastou lá R$ 90,2 milhões,
projetando para o final do ano R$ 192 milhões, mais de 5 vezes o gasto de 2016
(R$ 37 milhões).
Isso é curioso quando se observa uma queda de 25%
das despesas de cunho social (incluindo as creches) que projetam uma queda de R$
414 milhões para R$ 312 milhões. Ou seja, o que se tirou da área social se
colocou no gabinete da prefeitura, com sobras. É um caminhão de dinheiro
para se gastar apenas com gabinete.
Além do gabinete, os gastos da prefeitura só projetam alta na Secretaria
Municipal de Ordem Pública e na Secretaria Municipal
de Fazenda. O gasto total da prefeitura projeta uma queda de 28% para o final do ano. Em 2016 o gasto alcançou R$ 28,7 bilhões.
A Secretaria Municipal de Ordem Pública projeta um aumento
de despesas da ordem de 62% (R$ 59 milhões). No caso, seria mais justo chamar de
desordem pública, observando-se o caos urbano e o aumento desordenado na
quantidade de camelôs que pode ser observado no Rio esse ano.
Também a Secretaria Municipal de
Fazenda projeta um aumento de despesas em torno de 31%, que irá alcançar algo
em torno de R$ 380 milhões. Sabe-se lá a que se deve esse expressivo aumento.
Excetuando-se adicionalmente o Instituto Pereira Passos, que cuida do planejamento urbano e projeta um aumento estimado de 18%, todos os outros órgãos do Rio projetam queda de despesas esse ano, o que rima com a crise, que também atinge a esfera municipal.
❖
E, curiosamente, a Geo Rio, também
responsável para área de prevenção de enchentes, que está de mal a pior como
vimos entre ontem e hoje, projeta um gasto mais de 18 vezes menor que o ano
passado, projetando apenas R$ 6,6 milhões, contra R$ 122 milhões.
No andar dessa carruagem , deveremos ter um verão em 2018 debaixo d'água.
No andar dessa carruagem , deveremos ter um verão em 2018 debaixo d'água.
Crivella: Carnaval é um pecado Universal
A decisão repentina do prefeito carioca Marcelo Crivella de cortar 50% da subvenção
do desfile de Carnaval do Rio para 2018 é péssima, em vários sentidos.
Um exemplo mais recente, para ilustrar o vínculo do Crivella com a Universal foi a nomeação do bispo Jorge Braz de Oliveira como presidente do Procon, sendo que ele 0 de experiência no assunto.
Nos 12 anos dele como vereador, ele sugeriu 8 projetos de lei, quatro deles relacionados a temas religiosos, como a inclusão do Dia do Obreiro Evangélico, criação do Dia dos Grupos de Jovens Evangélicos; o que homenageia um dos fundadores da Igreja Universal como nome de uma rua e o que autoriza o acesso de religiosos em hospitais da rede pública ou privada para prestarem assistência religiosa aos pacientes.
Apenas um dos projetos tem relação direta com consumidores: o que obriga o fornecimento gratuito de café após as refeições em bares e restaurantes, o que é mais um primor de intervencionismo estatal, que acabou sendo arquivado em janeiro desse ano.
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3) Ele ignora o inegável efeito indutor do turismo, que representa 9,8% do PIB mundial, direta ou indiretamente, lembrando que o desfile das escolas de samba no Rio é mundialmente consagrado, como a festa da Rainha na Holanda, a Oktoberfest na Alemanha, o Ano Novo em Nova Iorque, a peregrinação de Santiago de Compostela na Espanha, etc.
4) Foi uma medida brusca e não negociada com as partes, o que mostra autoritarismo e falta de diálogo. A consequência disso é que a busca de salvaguardas pelas Escolas de Samba terá que ser acelerada e atabalhoada. Não estou dizendo que não haja corrupção da LIESA e mau uso dos recursos públicos. De fato, a receita para as escolas (R$ 24 milhões) dobrou em 2016 e 2017 por conta da falência do estado, mas representa 0,3% do orçamento anual do município do Rio.
5) Se ele fosse o João Dória, provavelmente teria negociado esquemas de patrocínio com empresas privadas e acabaria, no final, podendo fazer o mesmo Carnaval, sem um centavo de dinheiro público. Evidentemente, o uso dos recursos acabariam sendo muito melhor fiscalizados.
Apoie-se ou não a gestão de João Dória em São Paulo, é preciso admitir que ele é mais criativo, midiático, ousado e dinâmico do que o Marcelo Crivella, que é um fantasma que emerge só de quando em quando, em função de alguma polêmica.
6) Não nego que haja excessiva comercialização dos desfiles. Ela é apenas inevitável. Não dá para mudar isso. Tudo termina virando comércio. Até a contracultura hippie foi industrializada. Apenas aceitemos isso, como a gravidade.
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