O projeto “Escola sem Partido” é ruim


Entendo os perigos da educação ideologizada, mas o projeto Escola sem Partido é um projeto mal redigido, que, no afã de tapar um buraco real, termina fechando-o e produzindo um grande monte de esterco.

Concordo que é muito ruim um professor que fique panfletando em sala de aula, fazendo campanha eleitoral e perseguindo alunos que discordam de suas ideias

Só que isso, no meu entender, entra como um elemento a mais no universo de abusos que muitos professores praticam com alunos em sala de aula: perseguição, assédio, agressão, cobranças descabidas, abuso de autoridade, baixa qualidade, fuga da ementa prevista, falta de mínimo empenho, etc.

A campanha eleitoral em sala de aula é algo asqueroso e além de ser aética, toma o tempo precioso da ementa de uma disciplina, que muitas vezes não é coberta, face ao professor perder uma parte significativa da aula, matando-a, contando piadas e outros desvios.

Vamos analisar abaixo ponto por ponto dessa lei.

Art. 2º. São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades de cunho religioso ou moral que possam estar em conflito com as convicções dos pais ou responsáveis pelos estudantes.

É impossível que isso se aplique a todos. A pluralidade moral e religiosa dos alunos é infinita. Poderá ter, entre os alunos, até adoradores do Diabo. Mesmo na moral mais prevalecente o ensino da evolução das espécies poderá ser interpretado como algo que entre nesse tipo de conflito. Pelo menos com boa parte da ortodoxia católica e evangélica. Esse artigo foi escrito por alguém totalmente ingênuo que considera os pais como constituindo de uma massa homogênea de zeladores das morais e bons costumes.

Art. 3º. No exercício de suas funções, o professor:
I — não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias;
IV — ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito;

Na prática, a neutralidade é impossível e utópica. Há uma diferença entre não neutralidade e doutrinação, há uma contraste entre ter uma opinião e transparece-la por vezes; e a não aceitação do dissenso.

Além disso, há cadeiras, que pela própria natureza, explanam justamente a ideia de algum teórico como Kant ou Nietzsche. Nesse caso, ainda que se possa contestar parte das posições do autor, esse não é objetivo da disciplina. Existirão, por certo, outras disciplinas para contrapor.

É natural que uma cadeira de Marxismo em uma faculdade de Economia seja aplicada por alguém que se simpatize, de algum modo, com as ideias de Marx e o mesmo vale para quem ministra sobre o liberalismo de Adam Smith. Essa isenção absoluta é utópica e infactível.

Art. 6º. As reclamações relacionadas ao descumprimento desta Lei serão dirigidas, sob garantia de anonimato, à Secretaria de Educação, e encaminhadas, sob pena de responsabilidade, ao órgão do Ministério Público incumbido da defesa dos interesses da criança e do adolescente.

Isso é uma centralização estatizante inaceitável. São dezenas de milhares de unidades de ensino. Como seria a gestão disso e com que estrutura organizacional? A Secretaria de Educação ficaria atravancada com queixas de toda ordem, muitas completamente injustas e/ou movidas por perseguições.

Qualquer medida nesse sentido precisaria ser descentralizada unidade por unidade, para a direção de cada escola. Caso a direção da unidade se mostre surda, devem haver canais superiores que agirão junto à cada diretoria, por amostragem e representatividade.

Existem abusos reais em sala de aula e não só de natureza doutrinárias. Deve haver canais de reclamação, abaixo-assinados; para que o aluno possa ser mais escutado. Pode ainda haver uma ouvidoria.

Art. 7º. O disposto nesta Lei aplica-se, no que couber:
III — aos livros didáticos e paradidáticos;

Isso é impossível na prática pelos motivos expostos acima. Um livro didático sobre Keynesianismo não consegue ser 100% imparcial. Quem escreve um livro sobre ele, tende a gostar um pouco, pelo menos, de suas ideias. E, em relação a livros paradidáticos não pode se aceitar nenhuma espécie de censura. O próprio nome entrega: paradidáticos são os livros de não ficção que podem opcionalmente servir de apoio para um curso, não constituindo em material oficial. Qualquer tipo de restrição seria um tipo de censura inaceitável.

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Não digo que não se deva fazer algo em relação à doutrinação panfletária nas escolas, que atinge, por vezes, níveis intoleráveis. Até minha filha foi vítima disso no terceiro ano do PH, onde um professor de História fazia abertamente campanha pela Dilma. A matéria que caia no ENEM, por vezes, ficava relegada à segundo plano.

No entanto, a Educação no Brasil padece de problema muito mais sérios, visto que o Brasil não só se posiciona muito mal em relação ao mundo, mas mesmo na América Latina, como o estudo da Unesco demonstrou, o Brasil está longe de cantar de galo.

Só para ficar claro para algum eventual leitor que não me conheça. Não sou mortadela, coxinha, marxista, petista ou vermelho.

Estou apenas aqui fazendo um exercício de bom-senso.

Quem é o(a) político(a) das perguntas abaixo?


Quem defendeu Hugo Chávez em 1999?

Quem já elogiou Luiza Erundina na tribuna da câmara em 1999, tendo ela deixado o cargo de prefeita de São Paulo em 1992 só com 20% de aprovação.
Quem em 2002 votou no Ciro Gomes no primeiro turno e Lula no segundo e disse que Lula representava a esperança.

Quem em 2002 apoiou a indicação do dinossauro Aldo Rebelo  para a defesa?
Quem foi contra o Plano Real?
Quem votou a favor da maioria dos projetos do governo no tempo do PT?

Quem já declarou Barbaridade é privatizar a Vale do Rio Doce, é privatizar telecomunicações, é entregar nossas reserva petrolíferas para o capital externo.”?
Quem propôs projeto nacionalista tão ridículo como o da ilustração acima, sobre uso de palavras estrangeiras no Brasil, imitando o folclórico Aldo Rebelo?



Os 4 cavaleiros do STF que estimulam a impunidade.

Dos 5 ministros que votaram favoravelmente pelo HC do Lula, todos eles se destacam negativamente, com exceção do Celso de Mello.                 

Foram justamente os que votaram ontem pela soltura do então todo poderoso ministro da Fazenda petista Antonio Palocci. 
          
Tudo indica que Palocci foi o grande executivo da ladroagem petista, antes dele passar o bastão para o Guido Mantega. 
Sabemos todos que Lula pode ser a rainha da Inglaterra do esquemão da corrupção, o centro espiritual do famoso slide do PowerPoint do procurador Deltan Dallagnol, mas Lula não tinha condições técnicas para ser o CEO do mega esquema.
             
Os votos desses 4 cavaleiros estão muito previsíveis, quando são votações que favorecem a impunidade de corruptos.
                 
1) Gilmar Mendes

Esse é hors concours. Foi nomeado em 2002 pelo FHC.

Nem vale a pena se aprofundar. Ele era execrado  por todas as correntes ideológicas.
Parte do PT começou a aliviar a pressão quando ele começou a votar de acordo com a vontade dele.
                  
Dentre dezenas de "decisões" questionáveis, ligações perigosas, etc; duas dessas decisões  de Gilmar Mendes marcaram especialmente:

a - Em 2008, Gilmar Mendes soltou o serial estuprador Roger Abdelmassih em 2008, que logo em seguida fugiu para o Paraguai, onde ficou até ser recapturado, por tolice dele.

b - Em 2017 Gilmar Mendes soltou o empresário de ônibus Jacob Barata, envolvido até a medula com o Sérgio Cabral. Lembrando que o ministro foi padrinho de casamento da filha do empresário. Além disso, um dos advogados de Jacob Barata Filho também é advogado de Gilmar Mendes.  Nada disso fez Gilmar declarar-se impedido.           

Recentemente ele monocraticamente mandou o juiz Marcelo Bretas repetir todas as audiência do processo contra seu amigo Jacob Barata. Provavelmente Gilmar está trabalhando para que o tempo passe e a prescrição chegue.

2 - Ricardo Lewandowski

Esse foi nomeado pelo Lula em 2003 e tem boa parte de sua história profundamente ligada ao PT e ao Lula. Foi o voto mais leniente no processo do Mensalão que ocorreu entre 2005 e 2012.

Dentre as várias histórias dele, vale destacar a votação do Impeachment da Dilma. Nesse episódio, Ricardo Lewandowski foi protagonista de
um autêntico e monstruoso monstrengo jurídico:

Em 2016, obrigado a avalizar a votação do Impeachment da Dilma no Senado, Lewandowski, terminou concordando com o Senado no sentido de manter os direitos políticos da Dilma, em flagrante desrespeito ao parágrafo único do artigo 52 da Constituição Federal.

Essa é uma violação constitucional muito mais isenta de possíveis interpretações do que o ministro Celso de Mello alega em relação à frase "trânsito em julgado", presente no artigo 5 da Constituição Federal, em relação ao cumprimento de uma condenação penal após condenação em segunda instância.


3 - Dias Toffoli                

O Dias Toffoli, formado em 1990 é ainda jovem e tem toda a sua carreira ligada à CUT e ao PT. Em 2009, ele foi nomeado como juiz do STF, a mais alta corte do país. Sua nomeação foi chancelada pelo Senado, então com grande maioria governista. 

Seu currículo é bem mais fraco que qualquer um dos seus pares: Foi duas vezes reprovado em concurso para juiz em São Paulo, nunca foi juiz ou procurador, nunca cursou mestrado ou pós-graduação  e não escreveu artigos publicados com mínima relevância.            

Toffoli incrivelmente não se declarou impedido para julgar José Dirceu no mensalão, tendo inclusive sido seu advogado particular em algumas ocasiões. Ele terminou votando pela sua absolvição (que surpresa!), embora Dirceu terminasse condenado. 
              
Ele tem no seu currículo um enorme conjunto de decisões favorecendo seus amigos do PT.

4 - Marco Aurélio Mello

O PT hoje conta com Marco Aurélio Mello como aliado, no contexto de um acordão para salvar tanto Lula como seus adversários.

Houve um tempo que Marco Aurélio de Mello falava mal do PT: O ministro Marco Aurélio Mello em 2012 chegou a falar da quadrilha dos 13, comparando o Partido dos Trabalhadores à máfia italiana e lembrou um discurso em que citou o “fosso moral”

Uma reportagem do Brasil247 mostra como a esquerda não era nada simpática ao ministro Marco Aurélio de Mello, em função desse tipo de declaração.

Essa matéria, citando uma reportagem da revista Época, cita o evento em 2000 que Marco Aurélio de Mello concedeu habeas corpus ao seu vizinho Salvatore Cacciola do luxuoso condomínio Golden Green, acusado de causar um rombo de R$ 1,6 bilhões aos cofres públicos.

A decisão foi monocrática aproveitando-se de sua condição de presidente interino do STF. Cacciola fugiu do país logo em seguida e foi capturado ano depois em Mônaco, em um cassino.

A esquisitice e a atuação errática acompanha a trajetória desse ministro, primo do Collor, e indicado por ele em 1990. Ele é conhecido como "voto vencido" por vários de seus esdrúxulos votos.             

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Em suma, a maioria em votações importantes é extremamente frágil e qualquer mudança na composição do Supremo ou uma idiossincrasia de algum ministro, pode virar a mesa a favor da impunidade para os ricos e corruptos.

Rosa Weber: A impunidade no Brasil está nas mãos dela.


É o voto da Rosa Weber amanhã no Habeas Corpus de Lula e que será, por coerência, seguido do voto da mesma mais adiante no sentido de não haver mais prisão após a condenação em segunda instância (após a análise dos embargos infringentes - no caso de não unanimidade - e embargos de declaração), é que vai servir de baliza para decidir que Brasil se avizinha diante de nós.

Confesso que acho mais provável que ela mantenha seu voto tenebroso, que irá jogar novamente nas ruas quase todas as pessoas de posses que cometeram crimes graves e já foram duplamente julgadas, mas tenho ainda esperanças.

Ela é uma juíza séria e existe alguma base no argumento de interpretar a frase “trânsito em julgado” do artigo 5 da Constituição Federal dessa forma, mesmo que o próprio Código de Processo Penal ressalte que os tribunais superiores não lidam mais com a questão factual no processo ou questionamentos de culpabilidade. Na verdade, referem-se à filigranas legais, que raramente resultam em reversão de condenação. Entendo a lógica, mas não concordo com a interpretação estrita do termo da Constituição Federal. Não por pretensão minha, mas faço minhas as palavras de Teori no seu voto em 2016.

No entanto, ela perfeitamente pode inverter seu voto. A cabeça dos juízes no STF anda meio pendular. O próprio Gilmar mudou de lado. O purismo legalista dela pode ser abalado pela flagrante clima de impunidade que irá se instaurar. Afinal, o marido dela, Telmo Candiota da Rosa Filho, foi procurador no Rio Grande do Sul, e certamente entende o drama da impunidade no Brasil.

Se a Rosa Weber não for a última a votar e  um dos 4 cavaleiros (Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio de Mello ou Dias Toffoli) não tiver votado, um deles pode pedir vista e aí poderá sentar meses em cima desse HC, que já está aprovado liminarmente.

Por outro lado, se a prisão após a segunda instância cair, teremos, a exceção de situações excepcionais, dois Brasis: 

1) O Brasil dos pobres ou remediados, que são defendidos por defensores públicos ou advogados de porta de cadeia, que ficam presos por meses e meses, antes mesmo de ter qualquer processo formal. 

2) O Brasil dos mais abonados, que são defendidos por advogados caros, que sempre conseguirão impetrar uma chuva de recursos, mesmo após a condenação em segunda instância.

O grande objetivo, além da postergação da pena, é a prescrição. 

Até 2009, havia consenso sobre prisão em segunda instância, que caiu naquela ano, na análise pelo STF de um réu, que aliás nunca chegou a ser preso, porque os crimes dele prescreveram. Em 2016, liderado pelo Teori Zavacski, a prisão após segunda instância voltou a ser aplicada, em um voto brilhante.  Assim, tivermos um hiato de 7 anos, trazendo um ambiente jurídico esdrúxulo, que não existe paralelo no resto do mundo.

Há alguns fatos interessantes sobre prescrição: 

a) A prescrição conta para cada crime e não para o conjunto de crimes. Como a pena de corrupção passiva do Lula no 4º. TRF relativo ao caso do tríplex foi de 8 anos e 4 meses, na prática, a prescrição desse crime se daria aos 16 anos da realização do crime.  

b) Se o réu tiver acima de 70 anos (que é o caso do Lula), o prazo reduz para a metade, isto é, 8 anos. Ou seja, como o último ato do pretenso crime se deu em 2014, a prescrição se daria em 2022. 

c) Enquanto o STJ leva em média 3 anos para julgar um recurso, o STF leva em média 5 anos. Como estamos em 2018 e o recurso no primeiro processo do Lula nem foi ainda iniciado, isso irá para 2026, ou seja, o processo seguramente terá prescrito com folgas.  

d) A partir da segunda condenação de Lula em outros processos, o prazo de prescrição aumenta em 1/3, porque Lula não é mais réu primário, mas, por outro lado, os crimes foram todos cometidos até 2014.  Com isso temos 4 anos transcorridos, mais 2 anos até o julgamento em primeira e segunda instância, seguido de 8 anos para os tribunais superiores. 14 anos e isso é maior que 10,7 anos (8 anos + 1/3).

e) É justamente esse o caminho que seria perseguido por todos os réus, quer sejam pedófilos estupradores ou corruptos. E se o réu chegar aos 70 anos no meio do julgamento melhor ainda! A prescrição, nesse caso, é praticamente certa, dado o enorme tempo de trâmite nos tribunais superiores.  

 

Só resta cruzar os dedos e bater na madeira.

Lula: igualdade é para o resto


Lula é réu em 7 processos, com potencial de mais processos chegarem. Em um deles, Lula está condenado em primeira instância e em segunda instância, por unanimidade, além de  ter um HC recente indeferido por unanimidade no STJ

Diante de seus fiéis escudeiros, seus crimes restariam não provados, mesmo diante de tudo que há.

Lula (junto com seus correligionários) quer ser tratado como um ser especial, que é melhor e desigual às outras pessoas. Sua origem humilde é muito importante. Não importa se hoje ele é rico. Ele nasceu pobre. Isso basta para seus apoiadores.

Além disso, segundo seus militantes e ele mesmo, Lula é o máximo: o mais honesto dos homens e o que mais fez pelo seu povo. Assim, deveria haver uma indulgência a todos seus pecados: presentes, passados e futuros. Quem é bom e comete crimes, não deveria pagar por eles, dentro dessa ótica.

Também não importa que ele não esteja preso. A pressão é para que o HC seja preventivo, antes do fato. Existir uma jurisprudência favorável à prisão após segunda instância é irrelevante. O que importa é não prender o Lula.

A legislação determina que o STJ e STF não devam analisar a materialidade ou autoria do crime, pois a análise é estritamente jurídica. Logo, não é aí que se descobre se o acusado cometeu ou não o crime, pois isso já foi levantado nas instâncias ordinárias e não deveria ser objeto de análise pelas cortes superiores.

Considerar trânsito em julgado só depois das 4 instâncias é desmerecer todo o trabalho do Juiz de 1º grau e dos desembargadores dos Tribunais. Se só o STJ e STF julgam corretamente, então por que não acabar logo com a justiça de 1º e 2º grau, já que só o STJ e STF entendem do riscado?

Estranho também é que quando se busca equivalente no mundo (aguardar o julgamento do último recurso no STF para decretar a prisão); fica-se de mãos vazias. Só mesmo aqui, quando se olha outros 193 países.

Qualquer pessoa com 2 neurônios sabe que todos esse benefício praticamente só vale para quem pode pagar bons advogados. Combinando as penas relativamente baixas para corrupção (comparadas a outros tipos de crime), com as prescrições, que são proporcionais a cada pena e não são somadas para crimes cometidos de forma concomitante, temos uma situação onde o rico quase sempre irá ver sua pena prescrever.

E, como reitero sempre, a corrupção gera terríveis danos colaterais, ainda que não suje diretamente as mãos de seus autores com sangue.

Vejamos a cadeia causal no caso de sua primeira condenação. Lula aceita presentinhos caros da OAS, a OAS não fez isso pelos belos olhos do Lula ou por crença ideológica. Fez isso pelas vantagens que lhe foram concedidas, que são em um montante muito maior do que os presentes, o que sangra o Tesouro de várias formas. Isso gera menos saúde e saneamento (dentre outras coisas), o que mata pessoas. Muitas pessoas. Um serial killer de mãos limpas.

Olhemos agora os pobres, principal vítima do horror mostrado abaixo:

Em um levantamento de 2017, dos 654.372 presos no Brasil, 221.054 são temporários. 1 em cada 3.

Desses 41% estão presos há mais de 180 dias. Em Roraima chega a 72% dos presos. O período médio de prisão temporária alcança 402 dias. Em Pernambuco esse número avança para 974 (2 anos e 8 meses).  

Dos presos temporários, 15% não estão sequer com motivo classificado, com grande chance de representar motivos espúrios. Do restante (85%), apenas 45% se refere a crimes mais graves (roubo, estupro, homicídio, sequestro, etc.). No geral, apenas 38% dos presos temporários estão lá por suspeita de cometimento de um crime grave.
              
★★★ 

Em suma, na filosofia petista, o destino do Lula, duplamente condenado, importa mais  do que o destino de 1 em cada 3 presos no Brasil, que estão presos sem qualquer condenação formal por centenas de dias em média, sendo que talvez 6 em cada 10 por suspeita de cometimento de um crime banal ou o tal tráfico de drogas (que inclui Indução, instigação ou Auxílio ao uso de drogas, em sua tipificação)

Medicina Alternativa no SUS? Desperdício.

Quando o atendimento mínimo médico à população pelo SUS agoniza, o ministro Ricardo Barros, em mais uma medida demagógica,   aumenta o desperdício de recursos públicos ao introduzir no SUS sandices como florais de Bach e cromoterapia (cura pelas cores), dentre outras terapias alternativas.

Os florais de Bach, por exemplo, são uma mistura de conhaque e água contendo diluições extremas de extratos florais que se toma. Em relação a florais de Bach, vários estudos não demonstraram qualquer eficácia, quando comparado ao placebo.

Um artigo suíço de 2010 (Bach flower remedies: 
a systematic review of randomised clinical trials) compilou algumas pesquisas anteriores, confirmando o que já se sabia: que florais são apenas uma beberagem diluída.

Enquanto isso lá fora, mesmo a Homeopatia, um dos procedimentos mais populares da medicina alternativa, sofre de grande decadência.

Para exemplificar, o gráfico acima  mostra que; em 20 anos; o volume de prescrições homeopáticas caiu 96% na Inglaterra. Mais do que esperado, após décadas de ausência de real efeito curativo.

Muitos ainda acreditam na homeopatia basicamente por causa de 3 fatores:

a) O tempo cura muitos males, com ou sem homeopatia. A asma infantil é célebre por ir embora sozinha em um percentual significativo de casos.  Se a criança se livra da asma e está tomando remédios homeopáticos, os pais concluem que uma coisa se deve à outra, porque os fatos foram concomitantes. Elas são vítimas da falácia conhecida por uma expressão latina ( Post hoc ergo propter hoc - Depois disso, logo causado por isso)

b) A aleatoriedade e a individualidade das doenças faz com que algumas pessoas melhorem e outras pessoas piorem, diante de tratamentos similares. Até com o câncer acontece isso, em alguns casos. Se essa pessoa está rezando para a Lua ou tomando florais, essas medidas poderão ganhar o crédito pela melhora. As pessoas que pioram é porque Deus quis assim.

c) Finalmente, vale destacar o fortíssimo efeito placebo. A melhora da disposição do paciente e a confiança que ele está sendo devidamente tratado, exerce um certo efeito curativo, que alguns pesquisadores dizem que chega a ser expressivo, dependendo do problema.

★★★

Minha bronca com Medicina Alternativa não significa que eu endosse todos os procedimentos da medicina convencional. Há muita enganação e mistificação nessa área também, mas são tramas mais bem urdidas.

"Fake News" petista continua a todo vapor

Há uma página no Facebook chamada "Verdade sem Manipulação" que tem quase 850.000 curtidas. Sua missão é enaltecer o PT e achincalhar o PSDB.

Até aí, OK. Eles têm direito a defender qualquer ideia. Afinal, estamos em uma Democracia.

No entanto, na prática, eles funcionam principalmente como um
gerador não aleatório de mentiras  e poderia ser apelidado de "Mentiras com Manipulação".
Ontem eles publicaram esse post, que representa uma mentira grosseira, profunda e absoluta.

Infelizmente, sempre haverá uma legião de pessoas (1.100 curtidas e 1.139 compartilhamentos) sem espírito crítico, que vão interagir com o meme sem verificar minimamente sua veracidade.

Vamos aos fatos objetivos:

1) O 4o. TRF é um tribunal de 2a. instância da Região Sul. O Eduardo Azeredo foi julgado em Minas Gerais na segunda instância pela TJMG em 23/ Ago/2017 e perdeu por 2 a 1.

Sua pena é bem maior que Lula: 20 anos e 1 mês. Ele não foi preso ainda porque, como recebeu 1 voto favorável, há ainda os embargos infringentes que demoram mais para tramitar do que os embargos de declaração, os únicos que podem ser feitos em caso de decisão unânime contrária ao réu, como no caso do Lula.

Veja que esse caso também envolve o mesmo publicitário Marco Valério, que estava aprendendo seu ofício para depois participar do mensalão nacional, onde José Dirceu foi condenado sem confessar nada e, muito menos, denunciar o verdadeiro chefe, que era o Lula.

Ou seja, como o Marco Valério pode ser o demônio em um caso (mensalão mineiro) e o anjo em outro, onde o PT, segundo seus militantes, não teria feito nada de errado e todos foram condenados injustamente?

2) Não demorou 12 anos entre a 1a. e 2a. instância. Demorou 1 ano e 7 meses, já que a sentença em 1a. instância foi dada em 16 de dezembro de 2015. Demorou 5 anos, mas não se esqueça que o Moro é rápido em todos os seus julgamentos. Eduardo Cunha, por exemplo, foi sentenciado em tempo recorde.

3) Não vai dar tempo de prescrever, porque a lei dos 70 anos, que reduz o tempo de prescrição, vale em relação à sentença de 1a. instância. O processo atrasou muito porque tardiamente desceu do STF para a primeira instância, diferentemente do caso do Lula, que já nasceu na 1o. instância.

4) A pena foi diminuída sim, mas de maneira irrisória. Ela foi de 20 anos e 10 meses para 20 anos e 1 mês, mas  bem maior que a pena da Lula.

5) "A Globo não falou nada". Todo artigo que fala do PSDB e enaltece o PT precisa colocar a TV Globo como comedora de criancinhas. Só que, para finalizar a torrente de mentiras, é, mais um vez, uma inverdade.

E aqui está um trecho de Jornal Nacional de 23 de agosto de 2017 (Sim, não é Jornal Hoje e o Jornal da Globo, é o telejornal mais visto do país)

Ciro: Desconstruindo lendas

Sempre se diz por aí que o desempenho de Ciro no governo do Ceará no período 1991–1994 foi excepcional. De fato, foi um bom governo,...