Memórias prévias de um Facebook Ad. I

Esse texto abordará a questão do desenvolvimento, apenas

HTML e CSS

Linguagem de marcação e formatação de uma página HTML. É impressionante a quantidade de caminhos para se chegar ao mesmo lugar, especialmente em termos de posicionamento dos elementos. E as diferenças entre os navegadores / browsers são perturbadoras. Para uma pessoa, como eu, que não está no dia a dia de programação, foi um processo árduo com constantes consultas ao StackOverflow.

Javascript


Essa é a linguagem universal dos navegadores / browsers. É usada, de alguma forma, por nada mais do que 95% dos sites. Muitos dos frameworks criados para desenvolvimento de aplicativos de celulares são construídos em cima dele.

A linguagem é enorme, poderosa e confusa. Em muitos casos, há diversas maneiras diferentes de fazer a mesma coisa. É uma linguagem típica de comitê.
Só um exemplos bizarro: o método getMonth retorna de 0 a 11 e não  1 a 12, como seria de se esperar.
É a minha terceira incursão mais punk nessa linguagem a partir de 2017, como mesmo drama do HTML e CSS das pequenas diferenças entre browsers.

O Chrome DevTools acoplado ao navegador Chrome é muito bom e facilita a depuração do Javascript.

PHP

Mais uma linguagem típica de comitê.  Esse projeto foi  minha maior incursão na linguagem até hoje, acoplada com o uso intenso de MySql. A linguagem tem uma fixação doentia com ponto e vírgula, e retorna implacavelmente apenas Internal Error 500, sem indicação de linha.

Se você não usa um syntax checker  e uma ferramenta de PHP online, você se arrisca a perder a sanidade.

Desenvolvimento
Desenvolvimento

Antigamente o projeto de uma linguagem de programação era sólido e a documentação perfeita. Hoje a documentação é vasta, mas imprecisa, no entanto, há uma ampla comunidade usando  e interagindo uns com os outros.

Infelizmente os nerds conquistaram o mundo e as linguagens tipo C venceram.  Ponto e vírgula, linguagens que diferenciam maiúsculas de minúsculas, comando ++ e +=, comandos de controle com blocos e as detestáveis chaves ({}).

Há uma fixação extrema e exagerada por linguagens orientadas  a objetos, como se  fosse uma panaceia.

PagSeguro

Suporte inexistente. O desenvolvedor fica entregue à própria sorte. A documentação do site é confusa e omite qualquer referência a PHP, usada ainda por 83% de todos os sites. Ao invés disso, parte da documentação se refere ao utilitário curl, que sequer é nativo do Windows, com uma explicação vaga. O suporte telefônico não sabe de nada e pede para se dirigir ao fórum, que, por sua vez, tem poucas respostas do PagSeguro. Os usuários ficam batendo cabeça uns contra os outros. No final, consegui fazer tudo, mas dói. É um retrato do Brasil, eles querem que coloquemos pagamento PagSeguro no nosso site, mas não dão o apoio suficiente. Só funciona direto para quem colocar direto o código do botão, sem qualquer possibilidade de teste.

Intervenção Federal no Rio: boa ou ruim?

O Brasil agora tem 100 milhões de especialistas de segurança com opiniões abalizadas contra ou favor da intervenção.

Eu não tenho propriamente uma opinião formada  definitiva sobre a questão da intervenção. Não sou especialista, o que não me impede de ter algumas opiniões.

Candidamente, falo igual ao Tiririca: "Pior do que está não fica". Pode ficar igual e pode melhorar um pouco. Não acredito tanto, mas pode até piorar.  Por outro lado, poderão haver "acordos" que "pacifiquem" um pouco as disputas e nos aproximem do que parece acontecer no estado de São Paulo, onde a mortalidade por 100.000 habitantes gira em torno de 8, que é muito baixo em se tratando de Brasil.

De todo o modo, se o próprio Pezão abdicou do poder por se sentir completamente impotente, do jeito que está não poderia ficar. Ou seja, a intervenção passou a ser inevitável.

Deprimente é o Temer usar isso com finalidade eleitoreira, como está se dizendo. No entanto, independente disso ser verdade ou não, todos sabem que o Temer "Tem que manter isso, viu"  é deprimente como um todo.

Deve-se destacar que o treinamento dos militares não é voltado para o combate ao crime.  E a truculência também costuma imperar, podendo vitimar ainda mais moradores. E também se engana quem acha que não há corrupção. É apenas uma questão de uma negociação mais complicada, mas ainda possível.

Independente da polêmica de Direitos Humanos, é preciso que as pessoas entendam que meramente matar bandidos não resolve o problema da segurança.  Mesmo que um líder de um grupo de milicianos ou traficantes morra, nada muda. Nesse mundo,  para cada "dono"  há dezenas de caras, dispostos a tudo, inclusive ao risco de morrer, para ocupar o lugar do morto.


Confronto direto sem planejamento, em geral vaza, de forma que só peixinho é preso e, mesmo que não vazasse, não afeta o mercado, quer seja de venda de proteção, intermediação de serviços públicos ou drogas. Ser líder em uma comunidade, significa riqueza, popularidade, poder e influência. A maioria absoluta dos líderes são homens e chegam a arregimentar várias mulheres que o servem. Muitas crianças crescem, viram adolescentes,  e sonham em ser um desses líderes. É o topo da cadeia alimentar nesse mundo para muitos alfas.

Eu acho graça quando ouço alguém fala que basta vigiar nossas fronteiras de forma eficiente. Em tese, sim. Isso seria possível no mundo ideal. Na prática, é quase impossível. Pela combinação da extensão infindável de nossa fronteira, precariedade de equipamentos e pessoal, falta de recursos, amplo acesso multimodal por água, ar e terra, combinado com a extensa corrupção nas fronteiras.


Os EUA, com muito mais recursos, pouco sucesso obtiveram. A droga chega lá de tudo que é jeito, até de submarino. No caso da cocaína, nada é nativo, já que não existe plantação de coca, a matéria prima, nos EUA. 

 
O filho do Pablo Escobar conta que o Pablo Escobar não teria entrado com tanta droga nos EUA se não fosse por "acordos" corruptos com o FBI para criar rotas de entrada nos principais aeroportos.
      


Nos EUA, centenas de bilhões de dólares foram gastos e o resultado obtido foi amplamente pífio, no caso do mercado de drogas. Nunca, proporcionalmente, morreram tantas pessoas de overdose.      

 
Eu também não acho que mudar  mudar o Código Penal, ou o Código de Processo Penal; ainda que possa ser feito, toca no cerne da questão da Segurança. O problema, em geral, não são nossas leis, é a aplicação delas.  Lógico que podem ser feitos ajustes aqui e ali, particularmente na questão das prescrições das penas, que são computadas erroneamente crime a crime.  Também é fundamental que a prisão após a condenação na segunda instância seja mantida pelo STF.
     


Do mesmo modo, não acho que a questão das armas toque seja relevante para os índices de violência no Brasil.  Os elementos culturais, políticos e socais de um país se sobrepõe muito à questão da quantidade de armas por 100 habitantes.    

Se alguém analisar no Wikipedia os homicídios por 100.000 habitantes e o número de armas por 100 habitantes na América Latina, vai entender que a correlação é virtualmente nula.
É um relacionamento multifatorial.   

Quando a polícia mata um (pretenso) bandido e a população comemora, muitos comemoraram, supondo que o Rio está ficando mais limpo.

Não sabe de nada, inocente.    


Por trás dessa morte, pode haver várias histórias, além da visão mítica do policial bom matando um bandido cruel: os policiais podem estar a serviço pago de um bando rival, podem estar forçando a barra para se aumentar o valor da propina, ou meramente matando por uma extorsão não bem-sucedida, ou simplesmente eliminando desafetos.   


★★★

No meu entender, as verdadeiras dimensões ligadas à segurança pública incluem:     


1) A mais séria das questões envolve
o conluio do crime organizado com importantes setores da polícia. Isso torna qualquer ação de combate ao crime, um processo de enxugar gelo e  em uma sucessão de atos de espetaculosidade forçada e midiática.  É um tarefa extremamente difícil e, de certo modo, dependente de recursos. Além de tudo, hoje a polícia militar é extremamente mal paga para arriscar sua vida.      


2) Emprego de tecnologia, s
erviços de inteligência, infiltração, rastreamento e sufocamento financeiro.

3) Diminuição da impunidade em todas as esferas, que se traduz por processos que levam anos e anos. Isso passa por uma diminuição dos ritos, recursos, informatização, automação, teleaudiências, etc. A maior parte nem depende de quaisquer mudanças nas leis.

4)
A recuperação do ex-detento no Brasil é uma das mais baixas do mundo.
Então deve-se resgatar a prisão como elemento de recuperação do preso, mas sem ingenuidades.     

Muitos caras ligados a facções e crimes mais graves e recorrentes são virtualmente irrecuperáveis. Agora colocar o pobre diabo que roubou um pão na mesma cela de um perigoso bandido, é contribuir para criar uma relação professor-aluno.  Esse tipo de cara, em geral, nem deveria ficar em um prisão. Nem o cara que foi pego com gramas de maconha. Muitos mofam na prisão temporária por simples falta de medidas burocráticas, na ausência de advogados, que ficam presas em algum tipo de geladeira.

Acho  importante que o preso trabalhe dentro da prisão, para ajudar a baratear seu custo. Hoje é muito caro manter nossa população carcerária, agravado pela corrupção prevalecente.  É preciso também atacar com vigor essa corrupção, que na prática possibilita que pessoas comandem grupos e ataques de dentro da prisão.

5)  O comércio de drogas é  impossível de acabar. É doloroso ter que afirmar isso, já que droga é realmente algo terrível e o vício nela é  algo muito triste.  No entanto, fatos, como se diz, são coisas teimosas.

Não há lugar no planeta onde ela sequer diminuiu. Nem na Indonésia, que tem pena de morte para tráfico. Deve-se focar mais na violência e criminalidade conectada a ela, do que na venda em si.

Nos tempos iniciais da UPP, foi exatamente isso que aconteceu. A violência e a criminalidade caíram, mesmo mantendo-se  a venda de drogas intacta.
Legalizar ainda é uma utopia para o Brasil e não há quaisquer perspectivas disso acontecer.

Apple trava descaradamente modelos antigos

A Apple é amada por uma legião de consumidores, mas tem uma ética que não cabe nem em um pires.

Até agora, devemos a ela a adoção por quase todo o mercado de aparelhos com a bateria selada. Isso dá uma boa forçada para o consumidor, que não quer pagar uma grana para a  trocar a bateria vencida na autorizada, atualizar seu aparelho quando a bateria ficar cansada.

No entanto, há muitas coisas raras em outros aparelhos: as mais óbvias são a ausência de entrada padrão para headphones ou USBs e não admitir a introdução de cartões de memória.

Agora a coisa escala e a Apple admite publicamente (aqui no original) que a atualização do sistema operacional estava deixando seu sistema cada vez mais lento de forma propositada nos modelos antigos.

Para que se entenda com clareza, é como se a Apple introduzisse atualizações do seu sistema operacional (IOS),  contendo instruções específicas  para dar travadas programadas, caso o  próprio sistema identificasse o modelo físico como sendo anterior ao atual.

Algo como abaixo:

Se modelo menor que o padrão
      dá um travada bacana
fim se

Se modelo ainda mais antigo
    dá uma travada ainda maior
fim se 

Vergonhoso!

Obviamente, essa é uma maneira para lá de desleal de pressionar os consumidores para atualizar seus aparelhos e, assim, esvaziar seus bolsos.

Tais processos coletivos, 8 até agora, tem potencial de produzir um vastíssimo e merecido rombo nos cofres da Apple. 


★★
 
Por essas e tantas outras, que eu não me arrependo há anos atrás me ter transferido de armas e bagagens para o mundo Android.

Temer e Lula: são diferentes e parecidos

É óbvio que o Temer, duas vezes vice da Dilma, não está tão preocupado como seu país, mas sim com sua pele e, em um ponto menor, com a pele dos seus "amigos".

Muitos dos seus atos têm essa digital: a nomeação da Raquel Dodge como PGR, a nomeação do Fernando Segóvia na PF  e do Alexandre Moraes no STF. 

Lembrando, que, no caso do PGR e da PF, pelo menos os  indivíduos citados são pratas da casa, como manda a lei, portanto fica difícil para essas pessoas destruírem totalmente suas respectivas organizações.  

Não é o caso do STF.


O suspeito de plágio Alexandre Moraes (trecho inteiros do seu famoso livro foram copiados de outra obra) se juntou ao "conservador" liberal Gilmar Mendes, ao bala perdida Marco Aurélio de Mello e aos literalmente petistas Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, e formaram a bancada que solta, estimula a impunidade, faz o corrupto respirar aliviado e agem para  manter o foro e as prerrogativas exageradas do Congresso. 

Falta pouco para tomarem a maioria no STF. 

Mesmo os outros, estão meio amedrontados, basta ver o voto da Carmen Lucia no episódio do Aécio, que mesmo com a gravação onde ele assume candidamente que poderia mandar matar um dos seus se a coisa babasse, continua por aí Senador da República. 

De todos, esse é o maior perigo para o Brasil. Perdermos o que resta de nossa Justiça, que por mais corrompida que seja, ainda tem alguma independência do Executivo. 

Quantos todos inimigos estão de braços dados, temos um adversário invencível, por isso que a Democracia pressupõe a tal independência de poderes.

O Temer é um presidente que obviamente deve para Justiça e que está decretando atos que a violam. É uma loucura que o Brasil funcione dessa forma. É uma completa violação da tal independência.

E muitos brasileiros querem colocar como presidente outro cara que tem contas a prestar com a justiça, o famoso ex-pai dos pobres, Lula.

Estar  na cadeira de presidente e, ao mesmo tempo, haver evidências fortíssimas de crimes comuns pairando sobre o mesmo, são uma combinação para lá de indigesta.


É óbvio que quase qualquer pessoa vai fazer do possível e do impossível para se safar. É da natureza humana. 

Não estou nem culpando, nesse sentido, propriamente o Temer e o Lula. Faz parte do instinto de sobrevivência. Ninguém quer ser presos. Nem se fosse a reencarnação da Madre Teresa de Calcutá. Ela mesma provavelmente iria querer se safar.

Os petistas que ainda apoiam o Lula deveriam refletir sobre isso. Seja de esquerda, vote na esquerda e etc., mas não o Lula, pelo amor de Deus.

Mesmo que o próximo presidente seja ruim e até péssimo, não podemos compactuar para botar na presidência alguém que já estará, creio eu, condenado em segunda instância, e a beira de ser condenado em diversos processos. Alguém que usou uma fundação e palestras fajutas para amealhar dezenas de milhões que trafegaram em suas contas bancárias. 

Pode ser que todos os outros candidatos tenham feito suas tretas, mas enquanto estiver oculto, não é algo tão venal para o país e para o mundo.

Um presidente é o dono da caneta mais poderosa do país e tem o poder de destruir o  último vestígio de independência da Justiça,  fazendo o Brasil trilhar pelo escuro caminho venezuelano, onde a Justiça hoje é apenas um braço do Executivo.

Bato 3 vezes na madeira. 3 não, 30.

Votação do Aécio divide o STF: Jedi x Lado Sombrio da Força


A votação sobre o caso do Aécio no STF é emblemática porque mostra quais ministros estão em um lado mais perto da ética (Edson Fachin, Luis Roberto Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber e Celso de Mello) e quais ministros estão do lado sombrio da força (Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello).
     

Infelizmente, a Carmen Lucia terminou decidindo a favor do Aécio, mas eu ainda acredito que ela esteja mais perto da ética. Ela deve ter sido convencida  ao ser informada da iminência de insurgência do poder legislativo contra o STF.
       
Lembrando que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi flagrado em  transações mais do que indecorosas com os irmãos Batista, da JBS.

Dentre outras provas, há gravações de conversas com Joesley com trechos escabrosos, inclusive a que combina uma remessa de dois milhões de reais para o Aécio, para ajudar ele a pagar sua defesa.
Ao aceitar o pedido de ajuda, Joesley perguntou quem seria o responsável por pegar as malas com dinheiro e Aécio diz, quando se referia a enviar o Fred para pegar esse dinheiro:
         

 "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação"

      
Inacreditável!

A voz do Aécio é claramente reconhecível, com todos os seus cacoetes.

Fred é o Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador e ex-diretor da Cemig. Uma das remessa desse dinheiro chegou a ser filmada. O cara do lado da JBS terminou sendo Ricardo Saud da JBS.

                
Os apoiadores do Aécio estão se apoiando no artigo 53, 2o. parágrafo da Constituição Federal:
      
"
Art. 53.
...
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão."
                   

O que não dá para sustentar, após uma rápida análise do Código de Processo Penal:

Art. 282.  As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas observando-se a:

I - necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais;    

II - adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado.

§ 1o  As medidas cautelares poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente.

                  
Finalmente, mais adiante, no mesmo Código de Processo Penal, fica bem claro que as medidas cautelares referidas, o que deveria ser óbvio, é um conceito diverso ao conceito de prisão. Essa que é vedada pelo artigo 53 da Constituição para beneficiários do foro privilegiado e não as medidas cautelares.
         
Art. 319.  São medidas cautelares diversas da prisão:             
....
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações;   
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante;         
....
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos;
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais;    
....


Não acho juridicamente sustentável achar que a Constituição impeça a aplicação de medidas cautelares no caso do Aécio, usando o segundo parágrafo do artigo 53 como muleta.

Prisão é uma coisa (só possível em caso de flagrante, no caso de parlamentares), medidas cautelares são outra. Para mim isso é claro como a superfície do Sol.

Não se pode aceitar que se dê ao próprio Senado
a prerrogativa de blindar seus senadores contra qualquer forma da justiça atuar, uma vez que esteja em total conformidade ao que a lei determina. E o STF é a instância final para dizer isso.

Isso é corporativismo em estado puro, mais do qualquer pó branco que esteja à venda por aí, que pode interessar certos senadores.

Lembrando que seus integrantes,
em grande parte, estão envolvidos até o talo em atos de Corrupção, o que traz a eterna imagem da raposa tomando conta do galinheiro.

E esse acordão envolve inclusive senadores do PT, como pode ser visto nesse artigo
De repente, os integrantes do PT viraram legalistas.
     

            
Só no planeta Aécio, o estranho planeta onde chove um misterioso pó branco, medidas cautelares viram sinônimo de prisão. 

              

 

Feminismo: a radicalização desgastou o conceito



No início, o feminismo foi um veículo para batalhas muito relevantes.
          
No entanto, essa palavra foi muito desgastada nos tempos mais atuais. Hoje ela também é veículo para ideias radicais e reducionistas, como mansplaining, estímulos à censura ou os exageros do politicamente correto.
             
Por exemplo, recentemente teve o caso do profissional que foi demitido do Google por ousar enunciar declarações perfeitamente razoáveis sobre diferenças biológicas estatísticas entre homens e mulheres.
 

Assim quando alguém hoje usa a palavra “feminismo”, quase todas as pessoas não engajadas no movimento a associam, até erradamente, a essas ideias mais extremadas.

Isso vale também para aqueles que combatem o feminismo como um todo, mesmo nos seus aspectos mais razoáveis.

Muitos são machistas mal disfarçados que generalizam pelo outro lado e terminam arremessando no rótulo “feminismo” toda e qualquer ideia que defenda a mulher. Ou seja, o razoável e o absurdo ficam tudo na mesma caixa das coisas ridículas.

Em suma, feminismo: ame-o ou odeie-o.

Tal filosofia é mais um dos inúmeros exemplos que terminam caindo no velho vício que tem acometido muitas pessoas: A questão do binarismo. Ou algo é totalmente certo ou totalmente errado. Alguém que adota o meio termo hoje termina recebendo flechada de ambos os lados. 


Os conceitos valem muito mais do que um mero rótulo. Afinal, o que é ser feminista e o que é se simpatizar com algumas das causas feministas? É preciso detalhar.  Meros rótulos não dizem nada! Outro sério problema é embalar ideias e conceitos em blocos ou vínculos. O mais comum é supor que aquele que defende ideias feministas necessariamente tem que ser de esquerda e vice-versa.

Só que o cérebro humano é muito complexo para ter que adotar um arcabouço ideológico como um bloco monolítico.

A palavra foi deformada demais pela prática de certas facções do movimento. Como usual, os bons pagam pelos maus. Portanto, há uma questão inconsciente, que não podemos controlar. A palavra feminismo remete logo ao seu pior lado, para muitos.

Infelizmente, não há outra palavra que a substitua adequadamente e abranja a constelação de problemas que a mulher enfrente na maioria das sociedades.
 

Por exemplo, é preciso combater o assédio, particularmente quando se dá de uma pessoa que detém poder sobre outra. No entanto, o enfoque não pode ser tão simplista. Afinal, existe assédio no sentido oposto (ainda que seja menos comum) e existe uma diferença subjetiva entre assédio e paquera. Algumas feministas esticam tanto o conceito de assédio, que, pela conceituação delas, seria impossível que 2 desconhecidos se conhecessem na praia, no trabalho, no bar ou na boate.

Também existe o problema da falta de acesso das mulheres a cargos de chefia, mas nada que se resolva hoje em dia com cotas ou passeatas. É uma questão complexa e de evolução lenta.

Assim, em cada ponto e no geral, só nos resta esclarecer para evitar ser mal interpretado.

Eu, por exemplo, não sou “feminista”, mas defendo “algumas das ideias feministas”. É verboso. São 4 palavras no lugar do 2. É o preço que se paga ao se deparar por uma palavra tão desgastada como “feminista”.

Sei que é um tipo de preconceito, mas que virou praticamente mainstream.

Ninguém mais pode falar a palavra “feminismo” sem evocar segmentos que não necessariamente são atados à palavra.
   
É ruim que a palavra feminista esteja tão desgastada, mas é difícil lutar contra fatos inexoráveis.

Vegas: armas sem limites, licenças ou registros.

            Nesse trecho de filme, Arnold vai às compras.

Muitos irão usar o atentado de ontem em Las Vegas para provar suas teses sociológicas. Não é exatamente o meu caso, são só algumas reflexões. Conclusões definitivas não são fáceis de tirar. Minha posição, como usual, é intermediária. Não defendo nem o desarmamento irrestrito nem o armamento irrestrito.


Nos EUA, na maioria dos estados, alguém  pode possuir quase qualquer tipo de arma. As armas que possuem restrição em alguns  estados são as armas
abrangidas pela  NFA (National Firearms Act), incluindo as automáticas. 

Essa restrição parcial, que em muitos estados implicam em um registro federal da arma, incluem silenciadores, rifles de cano curto (SBR), espingardas de cano curto (SBS), dispositivos de destruição (granadas, minas, etc.), armas automáticas e outras.

Nas armas
automáticas não é sequer preciso apertar o gatilho. No entanto, existem semiautomáticas que chegam a disparar até 180 balas por minuto, mas usando o gatilho. As armas semiautomáticas não têm qualquer tipo de restrição na maioria dos estados norte-americanos, exceto o registro federal na ATF.
Há de se convir que isso vai muito além de quase qualquer objetivo de autodefesa.

No estado de Nevada, local do atentado de ontem,  não tem sequer o conceito de registro de armas ou licença dentro do estado, mas as armas incluídas na rubrica da NFA tem registro federal a um custo de 200 dólares. Rifles de assalto, do estilo usado no atentado, podem ser levados de carro, mas não de forma oculta, exceto se o motorista tem uma licença especial.


No caso de armas automáticas (machine guns), existe um registro federal, mesmo em Nevada e civis só podem portá-la se fabricadas antes de 1986. Ainda não se sabe, se as armas usadas no atentado eram semiautomáticas ou automáticas.


Aqui tem uma pegadinha. Dentro do universo  das armas semiautomáticas, existem armas ainda mais poderosas que as armas regulamentadas pela NFA, que não são alvo dessa lei restritiva:

                 
"Um rifle é uma arma de fogo com um comprimento de cano superior a 16 polegadas. Um Short Rillle Barreled (SBR) é um rifle com um barril com menos de 16 polegadas. Um SBR é menos eficaz do que um rifle, mas é mais eficaz do que uma arma de mão para autodefesa. Também é mais eficiente para atravessar quartos próximos para limpar uma ameaça do seu local de residência, como um ladrão, etc. A partir de agora, você pode comprar um rifle com cano dobrável que é, na maioria dos casos , menor em todo o comprimento do que um SBR. A necessidade de registrar um SBR (Short Barreled Shotgun) é injustificada e o requisito deveria ser removido."
                            
Em suma, Rambos e Exterminadores do Futuro podem se sentir em casa.
Qualquer maluco  pode iniciar uma carnificina em um lugar público sem muita burocracia. Em Nevada, não há registro estadual, então há mais dificuldade da polícia rastrear a origem da arma.
Só em novembro de 2016 é que passou a ser checado se um condenado pela justiça está tentando comprar uma arma.

Eu sei que, como muitas pessoas sempre dizem, armas não matam, são as pessoas que as empunham que fazem isso. Também sei que é preciso um louco para fazer o que o cara fez ontem em Vegas, mas o mesmo vale para a bomba atômica ou armas químicas. À vera, é apenas um mero argumento retórico. Sem pessoas, não haveria nem esse artigo.

Assim, não há como negar que  em Nevada
é  muito  fácil um louco se armar como Arnold Schwarzenegger em um dos seus filmes, sem que jamais seja feita qualquer pergunta para ele.

                    

                    
No caso, foi preciso que o autor do atentado encontrasse uma maneira de ir acumulando armas e munições no quarto, uma vez que o resort Mandalay Bay não permite armas dentro da propriedade. Esse ponto ainda não foi esclarecido. No entanto, o sistema de segurança de entrada nos hotéis de Las Vegas, por experiência própria, em geral, é muito fraco. Na prática, não deve ter sido uma tarefa difícil para o assassino.
          

             
Não sou contra que se possa comprar armas, dentro de certos limites e controles. Só não quero que um cara possa comprar AR15 (torradeira de gente) em megastores de armas, como se fosse uma torradeira de cozinha, fato que acontece em alguns lugares dos EUA.

Ciro: Desconstruindo lendas

Sempre se diz por aí que o desempenho de Ciro no governo do Ceará no período 1991–1994 foi excepcional. De fato, foi um bom governo,...